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13/10/2008 - 21:31:02 - EXPERIÊNCIA COM ANIMAIS
Postado por: Clarice
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O MODELO ANIMAL

Sérgio Greif

Se um pesquisador propusesse testar um medicamento para idosos utilizando como
modelo moças de vinte anos; ou testar os benefícios de determinada droga para
minimizar os efeitos da menopausa utilizando como modelo homens, certamente haveria
um questionamento quanto à cientificidade de sua metodologia.

Isso porque assume-se que moças não sejam modelos representativos da população de
idosos e que rapazes não sejam o melhor modelo para o estudo de problemas
pertinentes às mulheres. Se isso é lógico, e estamos tratando de uma mesma espécie,
por que motivo aceitamos como científico que se teste drogas para idosos ou para
mulheres em animais que sequer pertencem à mesma espécie?

Por que aceitar que a cura para a AIDS esteja no teste de medicamentos em animais
que sequer desenvolvem essa doença? E mesmo que o fizessem, como dizer que a
doença se comporta nesses animais da mesma forma que em humanos? Mesmo livros de
bioterismo reconhecem que o modelo animal não é adequado.

Dados experimentais obtidos de uma espécie não podem ser extrapolados para outras
espécies. Se queremos saber de que forma determinada espécie reage a determinado
estímulo, a única forma de fazê-lo é observando populações dessa espécie naturalmente
recebendo esse estímulo ou induzi-lo em certa população.

Induzir o estímulo esbarra no problema da ética e da cientificidade. Primeira pergunta:
será que é certo, será que é meu direito pegar indivíduos e induzir neles estímulos que
naturalmente não estavam incidindo sobre eles? Segunda pergunta: será que é científico,
se o organismo receber um estímulo induzido, de maneira diferente à forma como ele
naturalmente se daria, será ele modelo representativo da condição real?

Ratos não são seres humanos em miniatura. Drogas aplicadas em ratos não nos dão
indícios do que acontecerá quando seres humanos consumirem essas mesmas drogas.
Há algumas semelhanças no funcionamento dos sistemas de ratos e homens, é claro,
somos todos mamíferos, mas essas semelhanças são paralelos. Não se pode ignorar as
diferenças, as muitas variáveis que tornam cada espécie única. Essas diferenças, por
menores que pareçam, são tão significativas que por vezes produzem resultados
antagônicos.

Testes realizados em ratos não servem tampouco para avaliar os efeitos de drogas em
camundongos. Isso porque apesar de aparente semelhança, ambas as espécies possuem
vias metabólicas bastante diferentes. Diferenças metabólicas não são difíceis de
encontrar nem mesmo dentro de uma mesma espécie, admite-se que as drogas
presentes no mercado são efetivas apenas para 30-50% da população humana.

Na prática o que acontece é que um rato pode receber uma dose de determinada
substância e metabolizá-la de maneira que ela se biotransforme em um composto tóxico.
A toxicidade mata o rato, mas no ser humano essa droga poderia ser inócua, quem sabe
a resposta para uma doença severa. Por outro lado, o teste em ratos pode demonstrar a
segurança de uma droga que no ser humano se demonstre tóxica.

Centenas de drogas testadas e aprovadas em animais foram colocadas no mercado para
uso por seres humanos e precisaram ser recolhidas poucos meses após, por haverem
sido identificados efeitos adversos à população. Se as pesquisas com animais realmente
pudessem prever os efeitos de drogas a seres humanos, esses eventos não teriam
ocorrido. Dessa forma, pode-se inferir que a pesquisa que utiliza animais como modelo
não só não beneficia seres humanos, como também potencialmente os prejudica.

O modelo de saúde que defendemos é aquele que valoriza a vida humana e animal. Os
interesses da indústria farmacêutica e das instituições de pesquisa que lucram com a
experimentação animal não nos dizem respeito. Buscamos por soluções reais para
problemas reais.

Os maiores progressos em saúde coletiva se deram através de sucessivas mudanças no
estilo de vida das populações. Há uma forte co-relação entre nossa saúde e o estilo de
vida que levamos. Se nosso estilo de vida é dessa ou daquela forma, isso reflete em
nossa saúde. Está claro que as doenças sejam reflexo, em grande parte, de nosso estilo
de vida e que a cura deva estar em correções nesses hábitos.

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Sérgio Greif é biólogo, mestre em Alimentos e Nutrição, co-autor dos livro "A Verdadeira
Face da Experimentação Animal: A sua saúde em perigo" e "Alternativas ao Uso de
Animais Vivos na Educação: pela ciência responsável